31 de out de 2010

PLANEJAMENTO TÁTICO

O planejamento tático da segurança empresarial tem por objetivo a realização de um estudo prático de análise de riscos corporativos que afetam os ativos tangíveis e intangíveis da empresa. Pode ser realizado pelo gestor de segurança da empresa, já que é desenvolvido nos níveis intermediários da organização. Nele compara-se o custo versus os benefícios, sempre integrando os meios organizacionais, com a reformulação ou criação de normas e procedimentos, com os recursos humanos e os meios técnicos, sejam ativos ou passivos. Lembrando que esses três fatores somados são primordiais para alcançar os objetivos pretendidos, por meio da eficiência, eficácia e efetividade esperadas em um planejamento de segurança. Além disso, sabe-se que o planejamento tático deve estar alinhado às políticas de segurança da empresa, visando objetivos empresariais.
Atualmente, o planejamento possui sete fases, que consistem basicamente na identificação dos perigos reais e potenciais, na identificação dos fatores de risco, elaboração do diagnóstico, análise e após a classificação de risco, plano de ação, controle e avaliação.
A primeira fase, relativa à identificação dos perigos reais e potenciais, deve ser composta por uma equipe multidisciplinar, responsável pela identificação dos perigos aos quais a empresa está sujeita. Um dos métodos para isso é o brainstorm (em português, tempestade de idéias).
Ao unir um grupo de pessoas para identificar os perigos da empresa podemos enxergar todos os ângulos da corporação. É injusto imaginar que o gestor de segurança, ou quem faça a análise de risco, tenha a obrigação de conhecer todos os processos, que podem ser inúmeros.
Por essa razão se faz necessária a participação de pessoas de diversas áreas, como recursos humanos, marketing, financeiro, produção e segurança na identificação dos riscos e perigos a que uma empresa está exposta.
Na segunda etapa, precisamos encontrar os fatores de risco. O método mais comum adotado pelos gestores é o Diagrama de Causa e Efeito, conhecido como Diagrama Espinha de Peixe, ou ainda Diagrama de Ishikawa, em homenagem ao engenheiro japonês Kaoru Ishikawa, que se utilizou desse diagrama pela primeira vez, em 1943.
Esse processo, além de ser muito eficaz, é simples e fácil de ser usado. Consiste em identificar um efeito indesejável, questionar os motivos ou “porquês” até estratificar todos os fatores. E assim como foi criado para ser usado como uma das ferramentas de qualidade, também foi adaptado para o uso na segurança.
Ferramentas de qualidade
No método Brasiliano de Análise de Riscos, por exemplo, foram sugeridas as categorias: recursos humanos da segurança, meios organizacionais, meios técnicos ativos e passivos, ambiente interno e externo. Vale ressaltar que os meios organizacionais, nada mais são que o levantamento das normas de rotina e emergência de uma empresa, assim como as políticas de tratamento e gerenciamento de riscos. A não formalização ou o não detalhamento pode ser um fator de influência para a concretização do perigo.
Os recursos humanos da segurança consistem no levantamento do nível de qualificação, quantidade e posicionamento tático da equipe de segurança. Os meios técnicos passivos são responsáveis pela verificação quanto à falta de recursos físicos, tais como layout de portaria, salas, resistências de paredes, vidros e outros.
Já os meios técnicos ativos consistem na inspeção dos sistemas eletrônicos, como os controles de acesso, CFTV, sensores, sistemas de rastreamento e centrais de segurança.
A fase relativa aos ambientes internos e externos diferencia-se uma da outra. Ao ambiente interno cabe o levantamento da relação entre os colaboradores e a empresa, o que inclui desde políticas de remuneração e até políticas de recursos humanos. É a ambiência da empresa. Já o externo, por sua vez, consiste na identificação de fatores externos incontroláveis, que influenciam na concretização de perigos. São exemplos os índices de criminalidade, da estrutura do crime organizado ou do judiciário, a corrupção policial e outros.
O diagrama estabelece a relação entre as causas e o efeito, e possibilita o detalhamento das mesmas, facilitando a elaboração do plano de ação.
Este diagrama é de fundamental importância para o planejamento tático, pois determina quais as ações necessárias para diminuir a probabilidade de um perigo específico. Com o mesmo é possível identificar as causas de uma determinada ocorrência, bem como onde concentrar a atuação do profissional. Para mais detalhes sobre a primeira e segunda fase, consulte a edição nº 144 do Jornal da Segurança.
A terceira fase consiste na elaboração do diagnóstico da empresa. Trata-se de um procedimento similar a uma fotografia, que levanta os pontos fortes e fracos das empresas, assim como as oportunidades e ameaças.
Uma forma de realizar esse diagnóstico é através da matriz SWOT - o termo SWOT vem do inglês e representa as iniciais das palavras Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças).
Podemos ainda usar o termo FOFA, que significa Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. (Consulte a Matriz F.O.F.A)
No quadrante das forças devem ser relacionados os pontos fortes da empresa relativos à segurança, e no quadrante das fraquezas as informações das vulnerabilidades, preferencialmente as apontadas na elaboração do diagrama de causa e efeito.
Já as oportunidades estão relacionadas aos pontos positivos da empresa, mas são de origem externa. Ou seja, não dependem propriamente da empresa. O mesmo ocorre no quadrante das ameaças, que também são externas.
Dessa forma, é possível ter uma fotografia da corporação focada nas condições de segurança. Assim, sabe-se onde se deve agir para mitigar os riscos, ou mesmo onde a empresa deve investir.

A quarta fase do planejamento tático consiste na análise de risco. Tal análise busca duas informações básicas: a probabilidade do perigo se concretizar ou se manter e o impacto que este evento terá para a empresa.
Com esses resultados pode-mos calcular a perda esperada, que é o investimento máximo a ser feito para o perigo estudado.
Existem ainda diversos métodos de análise de risco. Estes podem ser objetivos ou subjetivos e são conhecidos como quantitativos e qualitativos. De qualquer forma, independentemente do método utilizado (estatístico, Mosler, T. Fine e Brasiliano), os objetivos são os mesmos. (Confira algumas dessas metodologias nas edições nº 145 a nº 148)
A quinta fase do planejamento tático é a classificação, que trata do matriciamento dos riscos. O resultado da análise de risco oferece condições de inserir dados em uma matriz de vulnerabilidade. No caso de informações objetivas podemos utilizar a matriz de suportabilidade ou acei-tabilidade, especificamente para os casos em que as empresas não conseguem mensurar as perdas.
Matrizes
As matrizes são ferramentas do gerenciamento de riscos que podem e devem ser utilizadas pelos gestores de segurança para facilitar a tomada de decisão. São representadas de diversas formas e finalidades sendo, basicamente, uma fotografia da empresa em relação aos riscos analisados. A mesma deve indicar os pontos mais críticos, que merecem atenção imediata. Em geral, essas matrizes baseiam-se em duas premissas: a probabilidade da ocorrência e o impacto financeiro para o negócio.
Seja qual for o método de análise de risco empregado ou a forma que a matriz se apresenta, é uma ferramenta indispensável para o gestor, pois prioriza as ações, tendo em vista a probabilidade de ocorrência e o impacto, caso o perigo ocorra, que trará para o negócio.
A matriz apresenta de forma clara quais as prioridades de tratamento dadas aos riscos. É uma forma de estabelecer os riscos a serem sanados de maneira clara e objetiva. Assim, pode-se estabelecer um plano de ação.
No próximo mês acompanhe a continuidade desse artigo, cuja abordagem será exclusiva aos planos de ação e às formas de controle e avaliação de implantação.

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